Painel de conexões
O programa como objeto físico: uma placa cheia de furos em que os fios eram o código.
As máquinas de cartão perfurado descendentes da tecnologia de Hollerith eram controladas por um painel removível, no qual o operador ligava fios de entradas a saídas para decidir quais colunas seriam somadas, comparadas e impressas. Trocar de tarefa era trocar o painel. As empresas os guardavam em prateleiras como fichários, etiquetados na lombada, e um bom conectador de painéis era contratação valiosa.
O ENIAC herdou a ideia em escala grande. Até 1948, a máquina era preparada com chaves e cabos esticados entre seus vinte acumuladores, o que podia levar dias a cada problema novo. Quando foi reformada naquele ano para buscar instruções em suas tabelas de funções, ficou cerca de seis vezes mais lenta — e bem mais útil, porque a preparação caiu de dias para horas. O Steckerbrett da Enigma era a mesma ideia em miniatura: um emaranhado de cabos que mudava o que a máquina fazia.