Crivo de Lehmer
A máquina sob medida da teoria dos números: dezenove correntes de bicicleta girando até os furos de todas coincidirem, o que significava ter achado uma solução.
Derrick Norman Lehmer e seu filho Derrick Henry construíram em 1926 uma máquina para encontrar números que satisfazem várias congruências ao mesmo tempo — a operação central tanto na fatoração quanto na prova de que um número grande é primo. Cada corrente era cortada no comprimento de um módulo, com furos nas posições em que a classe de resíduo servia. Uma lâmpada iluminava o conjunto e uma fotocélula ficava atrás; no instante em que todos os furos se alinhavam, a luz passava e o motor parava. Eram correntes de bicicleta pelo motivo pouco glamoroso de serem baratas e vendidas em qualquer loja.
A versão de 1932 trocou as correntes por engrenagens e chegou a cerca de 5.000 números por segundo — mais rápido que qualquer máquina de uso geral por décadas, justamente por saber fazer uma única coisa. O Lehmer mais jovem voltou ao problema em 1946 e rodou teoria dos números no ENIAC durante um fim de semana, quando o pessoal da balística estava de folga. A lição é reaprendida de tempos em tempos: quando o espaço de busca é grande o bastante, hardware feito sob medida vence o caso geral. FPGAs e ASICs são o mesmo negócio em outros materiais.