Tommy Flowers
O engenheiro de telefonia que sabia que válvulas duram se você as deixar ligadas, e construiu o primeiro computador eletrônico programável do mundo, em parte do próprio bolso, quando ninguém acreditava nele.
Thomas Harold Flowers trabalhava na estação de pesquisa de Dollis Hill, dos Correios britânicos, onde desde os anos 1930 construía centrais telefônicas com válvulas em vez de relés. Foi ali que aprendeu o que Bletchley Park se recusava a aceitar: válvulas raramente falham enquanto estão funcionando, falham quando a energia é ligada e desligada. Uma máquina com milhares delas era perfeitamente viável — desde que nunca fosse desligada.
Em fevereiro de 1943, propôs uma máquina totalmente eletrônica para atacar a cifra Lorenz. O veredito foi que levaria anos e ainda assim não funcionaria. Flowers a construiu em Dollis Hill, financiando parte do próprio bolso. O Colossus Mark 1 entrou em operação em dezembro de 1943; o Mark 2, com 2.400 válvulas, começou em 1º de junho de 1944, a tempo de ler os relatórios de situação alemães antes do desembarque na Normandia.
Depois da guerra, as máquinas e os projetos foram destruídos por ordem superior. Flowers recebeu £1.000, que dividiu com a equipe, e depois teve negado um empréstimo bancário para construir uma máquina eletrônica — o banco achava aquilo impossível, e ele não podia dizer que já havia feito duas vezes. O reconhecimento só veio quando o sigilo começou a ser levantado, nos anos 1970.