SIGSALY
A Bell Labs criptografava as ligações de Churchill e Roosevelt com ruído gravado em discos de vinil: cinquenta toneladas de aparelhagem para tornar uma voz ininteligível a todos, exceto a uma máquina idêntica na outra ponta.
O sistema entrou em serviço em 1943 com o nome de código X-System e ficou conhecido como Green Hornet, pelo zumbido que os alemães ouviam ao interceptá-lo. A voz passava primeiro por um vocoder projetado por Homer Dudley: em vez de enviar a forma de onda, enviava medições da energia em cada uma de dez faixas de frequência, mais o tom. Esses valores eram quantizados em seis níveis. A fala virava número: a primeira modulação por código de pulso (PCM) prática para voz, sete anos antes de o PCM se tornar comum nas redes telefônicas.
A criptografia era um genuíno one-time pad. A chave era ruído térmico de retificadores de vapor de mercúrio, gravado em discos de vinil em duas prensagens idênticas, uma para cada ponta. Os discos tocavam em sincronia, mantidos no tempo pelo sinal horário da WWV, e cada valor da chave era somado, módulo seis, ao valor da fala. Um disco durava doze minutos e era destruído depois do uso. Sem o disco físico não havia o que analisar, e ninguém jamais demonstrou que o sistema tenha sido quebrado.
Cada terminal pesava mais de cinquenta toneladas, consumia trinta quilowatts e precisava de ar-condicionado próprio; foram construídos doze, de um porão do Pentágono a Guam. Alan Turing examinou o projeto numa visita à Bell Labs no inverno de 1942–43. O sistema foi aposentado em 1946 e permaneceu sigiloso até 1976, e só então sua lista de pioneirismos pôde ser escrita na história das telecomunicações, trinta anos tarde demais para influenciar qualquer coisa.