Percy Ludgate
Um contador de Dublin projetou no papel o segundo computador do mundo em 1909, independentemente de Babbage, e morreu antes de alguém pensar em pedir os desenhos.
Ludgate estudava contabilidade à noite e desenhava de madrugada. Seu artigo On a Proposed Analytical Machine, publicado pela Royal Dublin Society em abril de 1909, descreve uma máquina de propósito geral controlada por programa: 192 variáveis de vinte dígitos decimais cada, guardadas em navetas numa caixa giratória, programa em fita perfurada, controle condicional. Ele só soube do trabalho de Babbage depois de já ter começado o seu.
O esquema de multiplicação é sua contribuição real. Em vez de somas repetidas, usou o que ele mesmo chamou de logaritmos irlandeses: uma tabela feita à mão que atribui a cada dígito um pequeno índice inteiro, escolhido para que um produto vire uma soma de índices mais uma consulta inversa. O truque tornou a multiplicação barata o bastante para a máquina inteira caber numa caixa de menos de setenta centímetros de comprimento — um computador portátil, ao contrário da engrenagem de Babbage, que ocupava uma sala.
Nada foi construído. Ludgate passou a guerra trabalhando na logística da colheita irlandesa de aveia, morreu de pneumonia em 1922, aos trinta e nove anos, e seus desenhos nunca foram encontrados. O que sobrou foi o artigo de 1909 e um texto curto de 1914 — a soma do que sabemos sobre o segundo computador já projetado.