Ciberespaço
A palavra para a rede como lugar, não como ferramenta — inventada por um escritor de ficção científica que mal tinha usado um computador.
William Gibson cunhou o termo no conto Burning Chrome (1982) e o tornou famoso em Neuromancer (1984), onde é descrito como "uma alucinação consensual vivida diariamente por bilhões de pessoas". Gibson contou depois que escreveu o romance numa máquina de escrever manual e escolheu a palavra porque soava sedutora e não queria dizer nada — ele precisava de um termo para o que via nos frequentadores de fliperama, que pareciam querer entrar dentro da tela.
Ao longo dos anos 1990, a palavra virou a metáfora óbvia para a internet: "A Declaration of the Independence of Cyberspace" (1996), de John Perry Barlow, defendia que a rede era uma jurisdição própria, à margem dos governos. Isso não se sustentou. Hoje a palavra sobrevive sobretudo em ministérios da defesa e em legislações, enquanto a indústria seguiu em frente para "metaverso" — mesma ideia, rótulo novo, tão pouca substância quanto antes.