Bias CA (pré-magnetização)
Um tom de alta frequência somado ao sinal durante a gravação magnética, que endireita a curva de transferência torta do meio — o truque que tornou a fita hi-fi.
Meios magnéticos respondem de forma não linear a campos fracos: perto de zero, o ponto de operação cai numa zona morta em que níveis baixos somem numa distorção grosseira. Ao misturar uma corrente alternada inaudível, entre 50 e 150 kHz, bem acima da faixa do sinal, o material é empurrado o tempo todo para além da sua coercividade, e o sinal útil passa a cair na parte reta da curva. O resultado é distorção e ruído muito menores.
O efeito foi descoberto mais de uma vez — Walter Weber e Hans Joachim von Braunmühl o patentearam na Alemanha em 1940, e Marvin Camras, de forma independente, nos EUA logo depois — e transformou a fita de curiosidade barulhenta em ferramenta de estúdio. A fita digital grava em saturação e não precisa de bias, então a técnica pertence sobretudo ao áudio analógico, mas é física fundamental de gravação.