Atanasoff-Berry Computer
Mais informações
- Criado por
- John Vincent Atanasoff e Clifford Berry, Iowa State College
- Ano
- 1942
- Tipo
- Máquina de calcular eletrônica
A primeira máquina de computação digital eletrônica, construída num porão de Iowa, desmontada em 1948 por gente que não fazia ideia do que era aquilo, e reabilitada por um tribunal federal em 1973.
O professor de física John Atanasoff e seu aluno de pós-graduação Clifford Berry construíram a máquina entre 1937 e 1942 para resolver sistemas de até 29 equações lineares simultâneas, uma tarefa comum e insuportável na física da época. Três de suas escolhas se tornaram práticas padrão: aritmética binária, válvulas como elemento de cálculo, e uma memória separada da unidade aritmética. Essa memória era formada por capacitores num tambor rotativo, lidos e regravados a cada volta — a mesma ideia de refresh que a DRAM usa hoje.
Não era programável. A máquina fazia uma única coisa, e resultados intermediários eram gravados em cartões perfurados por um gravador a faísca que falhava cerca de uma vez em cem mil tentativas, um defeito que Atanasoff nunca teve tempo de corrigir. Ele foi convocado para trabalho de guerra em 1942, e em 1948 a máquina foi desmontada por funcionários que não tinham ideia do que havia naquele porão.
John Mauchly visitou Atanasoff em junho de 1941 e passou cinco dias estudando a máquina. Isso teve peso trinta anos depois: em Honeywell v. Sperry Rand, o juiz Earl Larson invalidou a patente do ENIAC em 1973, concluindo que Eckert e Mauchly não haviam inventado por conta própria o computador digital eletrônico automático, mas o derivado do trabalho de Atanasoff. A decisão quase não recebeu atenção alguma — saiu na mesma semana em que Nixon demitiu o procurador especial do caso Watergate.